Congressistas relataram graves violações aos direitos humanos em instalação ‘familiar’
Legisladores democratas denunciaram na quarta-feira (8) que mais de 6.200 menores de idade foram reclusos em centros de detenção para migrantes nos Estados Unidos durante o último ano.
Os congressistas Joaquín Castro e Greg Casar visitaram o centro de detenção familiar em Dilley, Texas, onde quase 400 pessoas permanecem detidas. O grupo inclui 49 famílias, algumas das quais privadas de liberdade há mais de um ano. Dados da organização FWD.us confirmam que a população desse estabelecimento é composta principalmente por 77 menores de idade e 244 mulheres adultas.
Após conversar com os internos, os legisladores relataram graves violações aos direitos humanos. As famílias denunciaram falta de atendimento médico, maus-tratos e agressões verbais racistas.
O congressista Castro expôs o caso de uma menina de cinco anos com dor dental severa a quem a equipe médica receitou apenas ibuprofeno durante dois meses, sem oferecer tratamento odontológico. “Essas pessoas não estão sendo levadas a sério, porque não são tratadas como seres humanos”, afirmou Castro.
Além disso, foi apresentada uma denúncia formal contra a CoreCivic, empresa privada que administra o centro, após guardas de segurança utilizarem termos depreciativos como “mojados” e “spics” para insultar os detidos de origem latino-americana.
O representante Greg Casar desmentiu a retórica oficial sobre a periculosidade dos detidos. “O governo diz que prende o pior do pior, mas nenhuma das pessoas com quem conversamos tinha histórico criminal”, destacou.
As detenções respondem a uma estratégia de busca intensiva dentro do território norte-americano, por meio de megaoperações semelhantes à realizada recentemente em Minneapolis. Segundo o Deportation Data Project, as capturas em ruas, tribunais e repartições migratórias se multiplicaram por 11 em comparação com o último semestre da gestão anterior.
Informações vazadas à rede CBS News revelam que as detenções atingiram níveis históricos. Em janeiro deste ano, os Estados Unidos mantinham sob custódia mais de 73.000 migrantes — o número mais alto registrado desde a criação do Departamento de Segurança Nacional (DHS) em 2001.
Os legisladores reiteraram a urgência de fechar as instalações de Dilley, classificando-as como uma prisão traumatizante para a infância.
A perseguição sistemática contra migrantes se consolidou em 2017 com a política de Tolerância Zero de Donald Trump. Esse modelo substituiu o direito ao asilo por um sistema punitivo de detenções em massa e separação de famílias, lançando as bases de uma infraestrutura projetada para criminalizar a mobilidade humana.
Desde 2025, o governo intensificou sua perseguição com operações em massa em cidades de todo o país. Ao determinar a detenção de qualquer imigrante indistintamente, as autoridades já não se concentram apenas em criminosos — agora perseguem ativamente famílias trabalhadoras e crianças sem antecedentes. Essa falta de distinção transformou pessoas inocentes nos principais alvos de uma caçada humana que já quebra recordes históricos.
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur
